Mercado reserva boas condições para quem pretende ser empresário
Rio - Quem pretende abrir o próprio negócio em 2010 vai encontrar o mercado de portas abertas. E quando o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) perdem um trabalhador para a classe empresarial, os números se multiplicam. Micro e pequenas empresas brasileiras foram responsáveis por 75,1% dos 230.956 novos postos de trabalho formais gerados em outubro, aumento recorde de registros em carteira se comparado a igual período em 2008.
"Como gerar empregos se não houver empresários? De acordo com o Ministério do Trabalho, dos 27,2 milhões de trabalhadores, pequenas e médias empresas representam 51% dos empregados com carteira assinada, médias têm 26% e as grandes, 23%", resume Luiz Bruno Viana, da ONG Fabricando Empresários.
Com as inscrições pelo programa do Empreendedor Individual, empresários informais tiveram a oportunidade de se formalizar. Pelo projeto, para quem tem ganho mensal de até R$ 3 mil, o CNPJ é concedido na hora. Como ganho adicional, terá benefícios previdenciários e crédito especial.
A Associação Brasileira de Franquias (ABF) afirma que 2009 registrou aumento de 25% no número de interessados em abrir um negócio. "Mulheres e jovens se destacam. Hoje, elas representam 35% dos empresários que aderiram ao formato", explica o diretor executivo Ricardo Camargo.
Atualmente, as franquias operam 1.379 redes e 2009 deverá fechar com 1.460. Em 2010, o número deve atingir 1.540. São 648 mil postos de trabalho diretos e 2,5 milhões indiretos. Em 2009, 45 mil foram abertos. A previsão para 2010 é de mais 50 mil vagas.
Está cada vez mais fácil abrir o próprio negócio
Em tempos de otimismo na economia, o mercado dá um empurrão aos futuros empresários com saídas e alternativas criativas e econômicas. Há um segmento de suporte aos empreendedores iniciantes que cresce a cada dia. Hoje, é possível alugar até CNPJ e endereço. Salas de reuniões podem ser reservadas com pagamento por hora ou turno, com direito a secretárias bilíngues e serviço de central telefônica. Também existem condomínios de galpões, que reduzem preços para quem precisa de área de armazenamento de material, mas não trabalha com grande escala. O DIA publica teste, que começa ao lado, em que você pode verificar se tem veia de empreendedor.
Com o impulso da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas de 2016, o Rio cresce em oportunidades de negócios. O Grupo Virtual Office, que atua em São Paulo há 15 anos, abriu ano passado filial na cidade. Segundo a diretora Mari Gradilone, a empresa oferece estrutura de escritório virtual, com salas de reunião e treinamento mobiliadas, sistemas de telefonia e comunicação, além de instalações e equipamentos como projetor e telão, serviço de copa, secretária bilíngue e acesso à Internet em banda larga.
O segmento só atinge 0,5% do mercado. "A economia pode chegar a 60%. Trouxemos o modelo da Europa e aprimoramos. Se a pessoa não tem endereço, alugamos. E servimos até para efeito fiscal, amparados na lei. Mas isso só em São Paulo. No Rio, não há legislação que permita. Lá, temos 100 empresas no mesmo lugar", explica. Segundo ela, o cliente contrata o plano que interessar.
"Fornecemos, por exemplo, atendimento telefônico com número exclusivo, a partir de R$ 250. O aluguel de endereço custa R$ 200. A sala de treinamento para 50 pessoas custa R$ 300 por turno. O período integral sai por R$ 450", diz Mari.
O perfil dos clientes é de prestadores de serviços de grandes empresas. Alguns alugam até salas exclusivas, além das de reunião. Quanto à possibilidade de picaretas se utilizarem do espaço para aplicar golpes, a empresa faz o levantamento no Serasa. Se há dívidas ou irregularidades, não fecha contrato.
Outro nicho de mercado é do aluguel de equipamentos. "Comprar móveis e computadores requer investimento inicial alto e a entrega é lenta. A saída pode ser a locação, pois o aluguel agiliza o processo inicial da empresa, além de não ser necessário ter um capital extra para a compra", argumenta Rodrigo Franco, sócio-diretor da Brilho Arte, especializada no ramo. A vantagem é que as máquinas vêm atualizadas, há previsão de suporte técnico e a locação é 100% dedutível do Imposto de Renda (IRPJ).
Nesse clima, o Sistema Firjan promoveu o III Seminário de Empreendedorismo, no calendário da Semana Global de Empreendedorismo, do Instituto Endeavor. Entre os convidados-palestrantes, Guy Kawasaki se destacou. O executivo é ex-Apple, conhecido como "Guru das Startups", fundador da Garage Technology Ventures no Vale do Silício. Ele apresentou um painel que abordou conceitos do livro de sua autoria — "A Arte do Começo" — e incentivou o uso da tecnologia nas empresas.
BANCOS OFERECEM CRÉDITO
Os bancos privados e oficiais têm grande participação na oferta de crédito aos empresários e novos empreendedores. O BNDES, por exemplo, tem um cartão para micro e pequenas empresas. Na classificação, aquelas com receita bruta de até R$ 10,5 milhões por ano. Para pedir financiamento no banco, é preciso estar em dia com obrigações fiscais, tributárias e sociais, ter cadastro aprovado e capacidade de pagamento, além de oferecer garantias dentro dos critérios da instituição. Outro requisito é cumprir a legislação ambiental.
Microempreendedores (receita bruta inferior a R$ 240 mil) já encontram espaço no banco de fomento. No Rio, o Vivacred (www.vivacred.com.br ou 3322-1412) e o Sindicred (sincred@terra.com.br ou 2568-2434) são os que dão suporte ao crédito dos pequenos.
Classes C e D e as mulheres garantem oportunidades
As classes C e D, que vêm fazendo a alegria dos bancos e dos setores de seguros, têm grande contribuição na abertura de novos negócios. Segundo Ricardo Camargo, diretor da Associação Brasileira de Franquias (ABF), a formação dessa classe é que alimenta o setor de compras e serviços. "Aumenta o consumo. Na área de franquias, verificamos que os segmentos de Moda e Vestuário são os que mais crescem", explica.
Na área de veículos, que compreende serviços ligados a concessionárias, oficinas, vistorias, estacionamentos e locação de automóveis estão cada vez mais presentes e avançam em faturamento e espaço com o sucesso da indústria automobilística.
"Outras áreas que não param de crescer são as de beleza e saúde. Isso é explicado pela maior participação da mulher no mercado de trabalho. Mulheres ganham mais e consomem mais. E também influenciam o segmento de alimentação, que tem crescido acima da média. Hoje, come-se cada vez mais fora, porque ela não tem tanto tempo para ficar na cozinha", acrescenta Camargo.
INSTITUIÇÕES APOIAM QUEM QUER VIRAR PATRÃO
SEBRAE
O Serviço Brasileiro de apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) oferece cursos e auxilia o futuro empresário a abrir o próprio negócio. Informações podem ser obtidas na página www.sebrae.com.br ou pela central telefônica 0800-570-0800.
ENDEAVOR
O Instituto Empreender Endeavor é uma organização sem fins lucrativos que promove o desenvolvimento sustentável por meio do apoio a empreendedores inovadores e do incentivo à cultura empreendedora. Informações: www.endeavor.org.br.
ABF
A Associação Brasileira de Franquias (ABF) reúne as principais empresas que se organizam em redes e oferece suporte para os interessados em abrir o próprio negócio, a partir de experiências que já têm aceitação no mercado. Para informações, visite as páginas www.abf.com.br e www.portaldofranchising.com.br ou ligue para (11) 3020-8800.
MDIC
Com a Lei do Empreendedor Individual (EI), a pessoa que se formalizar paga apenas R$ 51,15 (INSS), R$ 5 (Prestadores de Serviço) e R$ 1 (Comércio e Indústria). O total é de, no máximo, R$ 57,15 por mês, que dá direito a benefícios previdenciários e acesso a crédito especial. A formalização pode ser feita pela Internet, com apoio de contadores que, por lei, não podem cobrar pelo serviço no primeiro ano. Para saber mais, acesse www.portaldoempreendedor.gov.br.
FABRICANDO EMPRESÁRIOS
O Projeto Sócio-Cultural Fabricando Empresários atua na capacitação de potenciais empreendedores, principalmente, em áreas carentes. Informações no site www.fabricandoempresarios.org.br
Reportagem de Luciene Braga e Tamara Menezes
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